Obrigada. E saudade.
- Lívia

- 12 de ago. de 2021
- 2 min de leitura
Este é um daqueles textos que a gente não gosta de fazer, mas o coração grita para que seja feito. Hoje, este espaço do nosso La Torloni se abre para que todos possamos sentir a dor diante de tantas perdas, diante de tanto caos e tanta dor.
Ontem, Paulo José.
Hoje, Tarcísio Meira.
Tivemos a doçura de dona Nicette, a imponência elegante da Vivinha, a irreverência de Paulo Gustavo, a genialidade de Aldir Blanc, o galanteio de Eduardo Galvão e a arte de tanta gente boa que se foi; hoje, temos o legado e a saudade.
Enquanto artista, há muito o que se admirar em quem admiramos. Nela, Christiane Torloni, como se fosse possível, o lado humano se agiganta mesmo diante da atriz sempre brilhante. Dela, da Christiane Maria, temos uma frase recorrente e que, paulatinamente, ecoa e se ressignifica a cada uma dessas perdas irreparáveis: a arte cura, a arte salva.
Me estendo considerando que, para além dessas verdades incontestes, o bonito da arte é que ela perpetua. A tragédia está na forma abrupta da despedida, assim, de repente, de uma forma que foi sem que precisasse ter sido. Fica um gosto amargo na boca, um aperto no peito, uma revolta, talvez; podia ter sido tudo tão diferente...
Mas o que fica, é a arte. Ela, sim, nos abraça em um acalentar de saudade e memórias. A arte, que edifica a imortalidade da alma diante de tudo o que foi construído. Assim, quase como uma realidade paralela, todo dia nos encontramos com o olhar terno e a voz doce de dona Nicette em alguma reprise do canal global. Para mim, é como se ela estivesse sempre ali, como se fosse um até logo. Jajá ela volta, eu penso, volta como um sopro de carinho em alguma reexibição; quando a infância grita, o abrigo vem do colo afetuoso de Dona Benta.
Mergulho então em Eva Wilma, na sua eterna resiliência, a presença forte, a voz aguda e firme que também retumba na criação da Jô Penteado, a primeira Diná, a fortaleza de Marietta Berdinazzi, a eterna Maria Altiva Pereira de Mendonça e Albuquerque. Hoje, me debruço sobre ele, um dos bastiães da teledramaturgia brasileira, o galã dos galãs, o gentleman Tarcísio Meira. A irreverência, coragem, postura, voz forte, talento que exalava por cada um dos poros...
A saudade fica. Esse sentimento de que sempre faltará algo, também. Mas a arte está aí. Ela os imortalizará, hoje e sempre. A todos eles, o nosso imenso, incansável e eterno obrigada pelo legado de tamanho talento, entrega e amor. Nossos sentimentos à todos os familiares e fãs. Meninas do La Torloni.


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