A partner perfeita
- Lívia

- 21 de jun. de 2021
- 3 min de leitura
Atualizado: 22 de jun. de 2021
A atmosfera ao entorno dela é diferente e essa não é uma mera constatação de fã - é mesmo diferente. Na sua estreia no Super Dança dos Famosos, Christiane Torloni foi a última a se apresentar em ambos os ritmos. Boas apresentações dos demais competidores precederam as suas, mas antes mesmo dela ser anunciada, a energia mudou. Tudo realmente muda quando a envolve: há sempre muito respeito e uma imensa expectativa por parte de todos os telespectadores - e também, ouso dizer, por parte do apresentador, que a recepcionou de imediato declarando-se fã inconteste de uma das muitas novelas por ela protagonizadas. Mais um discípulo de A Viagem: Tiago Leifert.
Mas a pauta é o Dança. Eu acompanhei a gravação, assim como tantos outros que estiveram ali, na famosa janelinha virtual. Horas e mais horas de ansiedade, muitos palpites nos grupos... O júri! Quem estará no júri? Qual seria a música? E a roupa? O cabelo: virá preso ou solto? Como já se sabe, teve de tudo e, neste tudo, ela estava linda.
Sobre a atmosfera que ressoa em uma frequência paralela quando o tema é Christiane Torloni, só digo o seguinte: o arrepio já começou quando a voz que nos orientou o programa inteiro, ecoou um aviso. "Vocês vão gostar... A dança dela é linda... Realmente, tá muito bonita". Era um anúncio do óbvio, daquilo que qualquer pessoa que a acompanha, está cansada de saber: ela é disciplina, entrega e impecabilidade em tudo o que faz.
O primeiro domingo foi embalado pelo rock e pelo forró. Das danças, acredito que não há crônica que descreva o quanto foi bom assistir, ver os movimentos de boneca, o quanto o lado lúdico do qual ela tanto fala e se orgulha, brincou no forró. Ela brincava, brincava a pedido do neto. Parecia a ciranda de uma menininha que estava mesmo se divertindo no quintal de sua casa ou em um forró em noite de São João. Quando veio o rock, o lúdico deu vez às caras e bocas, a um possível resgate às tantas noites de rock, bebê! dançadas ao longo de sua história. Noites de Hippopotamus, talvez.
Assistindo, na minha cabeça ecoava a frase tornada pública pelo Daniel Más na entrevista da Status Plus de 1981; nela, ele relata a tentativa frustrada de encontrar a Chris em um telefonema, ao qual uma de suas colaboradoras respondeu que a bonita, de fato, não estava em casa e também não saberia a funcionária precisar a que horas La Torloni retornaria, pois "a dona Christiane, você sabe, gosta muito de dançar". E é isso que ela entregou com excelência no rock, com suas muitas - e deliciosas - expressões. Havia nítido prazer em estar ali, brilhando no palco, ao lado do Álvaro, dançando justo... Beatles. A noite até pode ter sido difícil, como diz a letra da canção que embalou a dupla, certamente eles passaram a semana "ralaaando", ou workin' like a dog, mas valeu cada minuto. Vibramos todos e mesmo que o domingo já seja um registro do passado, permanece entre os fãs uma esfera de euforia, tal como as danças de 2008, na temporada da qual Chris e Álvaro saíram vencedores, se perpetuaram em nossas memórias, playlists e comentários.
Para além do quadro, cabe aqui uma menção à Christiane cidadã. Artista que nunca se eximiu da influência que tem perante à sociedade, que sempre usou, em toda a sua carreira, da notoriedade que sempre teve para fazer-se ouvida e advogar pelas causas que acredita, ela falou. Ela sempre fala, ela sempre se posiciona do lado certo da história. E aqui fica um registro do quanto é edificante admirar quem se admira pela qualidade de seu trabalho e pela fibra do caráter. À espelho de tudo o que Torloni, bravamente e destemida como lhe é de costume, reverberou em rede nacional, repito aqui: que haja sempre espaço para lutar pelas boas causas. Que não passe boiada, que haja luta, vacina e tempos melhores.
Por fim, não há nada que eu diga que sintetize melhor a disputa de domingo do que todos os dez que ela recebeu em ambos os ritmos - tanto do júri artístico, quanto do júri técnico e, eventualmente, da plateia virtual, que se encontrava em estado de graça, rendida aos seus encantos. Mas há a ainda algo que seja, talvez, ainda mais simbólico e, aqui, com a devida vênia, abro aspas para o comentário do grandioso Carlinhos de Jesus: "ela é uma dama, a partner perfeita".
Lívia.


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